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23.6.11

Infecção Urinária - Cistite

Postado por Paula R. Cardoso Bruno |

Cistite é o nome da infecção urinária que acomete a bexiga, normalmente causada pela a bactéria E.coli. Saiba como ela surge, quais os seus sintomas e descubra quais seus tratamentos, incluindo informações sobre a eficácia da pílula de cranberry.

Vamos falar de
infecção urinária, uma doença extremamente comum, principalmente no sexo feminino. 60% das mulheres adultas, já tiveram ou terão pelo menos 1 episódio de infecção do trato urinário (ITU) durante a vida.

Existem 2 tipos de infecção urinária:


Cistite
= infecção da bexiga.
Pielonefrite
= infecção dos rins
Na verdade existe um 3º tipo, que é a uretrite, causada em geral pelas doenças sexualmente transmissíveis. Mas isso é assunto para outro tópico.

A cistite é portanto uma inflamação da bexiga e da uretra, causada na imensa maioria dos casos por uma infecção bacteriana.


Enquanto a cistite é uma doença simples, a pielonefrite, que é a infecção dos rins, pode levar a sepse  e consequentemente a morte por infecção generalizada. Em geral, a pielonefrite ocorre quando as bactérias que estão na bexiga conseguem subir até os rins através dos ureteres.

Cistite - Sistema urinário
Rins e vias urinárias  (clique para ampliar)
Veja a foto do trato urinário ao lado e a baixo para entender melhor sua anatomia.

Enquanto homens, em geral, só apresentam infecções urinárias nos extremos de idade (Crianças pequenas e idosos), as mulheres passam a vida inteira sob o risco de infecção.

Para descobrir o porquê dessa diferença é necessário entender um pouco da nossa anatomia e da fisiopatologia da doença.

A primeira informação importante é que mais de 80% das ITU são causadas por uma bactéria que vive no nosso intestino, chamada de Escherichia coli (E.coli). A infecção ocorre quando por algum motivo essas bactérias que deveriam permanecer no trato intestinal conseguem colonizar a região ao redor da vagina, penetrar na uretra e alcançar a bexiga. A E.coli é a mais comum, porém, várias outras bactérias do trato intestinal podem também causar cistite .


Cistite - Sistema genito-urinário feminino
Bexiga e uretra na mulher  (clique para ampliar)
Olhem nas figuras ao lado a anatomia do trato urinário inferior do homem e da mulher. Reparem em 2 fatos. Primeiro, a entrada da uretra na mulher fica muito mais próximo do ânus do que nos homens. Segundo, a uretra do homem é mais extensa, fazendo com que a E.coli tenha que percorrer um caminho maior até chegar a bexiga. Vejam como é muito mais fácil para bactérias do ânus alcançarem a vagina do que o pênis.

Por motivos óbvios, sexo anal, hétero ou homossexual, é um fator de risco de infecção urinária em homens, já que elimina essa proteção anatômica do sexo masculino. A uretra do pênis fica em contato direto com as bactérias intestinais.


Trato gênito-urinário masculino
Bexiga e uretra no homem (clique para ampliar)
Você já deve ter pensado:

- Bom, se a cistite é causada quando uma bactéria normalmente encontrada nas fezes, coloniza a região vaginal, é só eu lavar bastante minha vagina para matar essas intrusas e impedir a infecção. A cistite é, portanto, uma doença de gente que não se lava direito.


O problema é que em medicina nem sempre o mais lógico é o que acontece.


O fato é que a vagina das mulheres apresenta sua própria flora de bactérias. Para uma bactéria vinda do ânus colonizar essa região, ela precisa competir com as que já vivem no local. Quando se faz uma higiene íntima excessiva ou usamos produtos anti-sépticos, matamos a flora natural da vagina, facilitando muito o processo de colonização de germes que estão a chegar. O que a E.coli mais quer ao chegar na região em volta da vagina é poder se multiplicar à vontade sem ter que "brigar" com outras bactérias por espaço e alimento.


Ter cistite não significa ter maus hábitos de higiene. Na verdade, os 2 extremos favorecem a infecção urinária: pouca higiene ou muita higiene.


Então, como evitar infecções urinárias?


- Higiene íntima com moderação. Deve-se dar atenção a limpeza após as evacuações, que devem sempre ser feitas na direção contrária a vagina. Deve-se evitar de levar bactérias para perto da vagina.


- NUNCA realizar ducha vaginal. Esse procedimento empurra as bactérias em direção à bexiga e favorece o aparecimento de cistite.

- Dê preferência ao chuveiro. Evite tomar banhos em banheiras.
- Evite desodorantes em spray na área genital ou qualquer outro produto de limpeza que possa irritar a vagina.
- Sempre urinar após relação sexual. O coito favorece a entrada das bactérias na uretra.
- Ingerir bastante líquidos para urinar com frequência e expulsar as bactérias da bexiga e uretra.
- Não usar camisinha que contenham espermicidas, pois elas não são mais efetivas e ainda aumentam o risco de cistites.
- Uso indiscriminado de antibióticos também pode alterar a flora natural da vagina e facilitar infecções.
- Mulheres na menopausa devem usar cremes vaginais a base de estrogênio para reduzir o ressecamento da mucosa vaginal.

Como a cistite é pouco comum em homens adultos, sempre que este diagnóstico for feito, deve-se investigar alguma alteração na anatomia urinária que esteja predispondo esta infecção.


Quais são os fatores de risco para cistite?

- Diabetes

- Vida sexual ativa. Quanto mais relações sexuais por semana, maior o risco.
- Fatores genéticos e história familiar de cistite
- Novo parceiro sexual.
- Presença de sonda vesical
- Incontinência urinária

Quais são os sintomas da cistite?

A irritação da bexiga causa alguns sintomas típicos:


- Ardência ao urinar, chamado de disúria
- Urgência para urinar e dificuldade de segurar a urina 
- Vontade de urinar mesmo com a bexiga vazia
- Sensação de peso na barriga
- Presença de sangue na urina, chamado de hematúria

Febre baixa e dor lombar também podem ocorrer, porém, sempre que esses sintomas surgirem deve-se pensar em pielonefrite, principalmente se a febre for alta e associada a vômitos, perda de apetite e mal estar geral.


Algumas pessoas associam uma urina com cheiro forte à infecção urinária. Isso na maioria das vezes não é real. A principal causa de cheiro forte é urina muito concentrada. Se sua urina está com um amarelo muito forte e com mal cheiro, você deve ingerir mais líquidos. Normalmente isso resolve o problema e ajuda evitar a formação de cálculos renais.


Em homens jovens com disúria é sempre importante pensar em DST como diagnóstico diferencial, já que estas são mais comuns do que cistites.


Em homens idosos, doenças da próstata podem causar sintomas semelhantes, além de serem um fator risco para própria infecção urinária .


Diagnóstico da cistite


Na imensa maioria dos casos o diagnóstico é clínico. A maioria dos médicos prescreve tratamento sem solicitar nenhum tipo de exame. Se houver facilidade, pode-se solicitar uma rápida análise de urina para confirmar a presença de pus.

O exame definitivo para infecção urinária é a cultura de urina. Porém, como esta demora de 2 a 3 dias para ficar pronta e o quadro clínico costuma ser muito característico, na cistite este se torna um exame quase sempre desnecessário. A urocultura é muito mais importante na pielonefrite do que na cistite .
Nos casos de cistite de repetição, infecções em homens ou quando o há dúvidas em relação ao diagnóstico, aí sim, a urocultura é importante.
Não se deve pedir urocultura em pessoas sem sintomas (exceto grávidas. Explico mais a frente). Algumas pessoas apresentam bactérias em sua urina sem necessariamente desenvolver cistite. Este quadro é chamado de bacteriúria assintomática. Portanto, não se pede urocultura e não se indica tratamento para pessoas sem sintomas de infecção urinária. O tratamento destes casos não traz benefício nenhum e ainda facilita o desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos.

Tratamento da cistite


Toda cistite deve SEMPRE ser tratada com antibióticos, para evitar recorrências e evolução para pielonefrite. Em geral, apenas 3 dias são suficientes. As drogas mais usadas são o Bactrim® (Sulfametoxazol + Trimetoprima), um dos antibióticos da família das quinolonas (ciprofloxacina ou norfloxacina, em geral), um derivado de penicilina (por 5 dias) ou nitrofurantoína (por 7 dias).

Em homens, o tratamento deve ser feito sempre por 7 dias, no mínimo.
Alguns medicamentos muito prescritos para cistites como o Cystex e a Pyridium não têm efeito antibiótico e servem apenas para aliviar temporariamente os sintomas da infecção urinária. Para tratar de verdade a cistite é preciso eliminar a bactéria, e isso só é possível com antibióticos.
A despeito de todos os cuidados listados neste texto, algumas mulheres apresentam infecções urinárias de repetição. São em geral pessoas com predisposição genética. Algumas dessas se beneficiam com a tomada de 1 comprimido de antibiótico após as relações sexuais. Nos casos mais graves, com várias ITUs por ano, pode ser necessário cursos longos (até 1 ano) de antibióticos.
Para quem gosta de medicamentos naturais, uma frutinha chamada de Cranberry (oxicoco em português), da família das amoras, comprovadamente reduz o risco de infecções. Pode-se tomar o suco ou comprar pílulas já à venda em algumas farmácias.
Outra opção para prevenção da cistite é o Uro-Vaxom, uma espécie de vacina com 16 cepas diferentes de E.coli. Parece que o uso por 3 meses deste medicamento, reduz a ocorrência de cistites. É importante salientar que essa droga só funciona para aqueles que tem infecções de repetição pelo E.coli.

Infecção urinária em grávidas

A presença de infecção urinária em grávidas está associado a parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascimento. Mesmo as gestantes com bacteriúria assintomática devem ser tratadas.
As quinolonas (ciprofloxacina e norfloxacina) são contra-indicadas na gravidez e o Bactrim deve ser evitado, principalmente no primeiro trimestre.
As melhores escolhas são a nitrofurantoína, fosfomicina ou amoxacilina + ácido clavulânico.

3 comentários:

Claudio disse...

Ótimo Post, adorei.

Sonia Salim disse...

Excelente postagem! Maravilhoso Blog!
Parabéns, Paulinha!

Beijos!

@soniasalim

Paulinha disse...

Obrigado, querida.
É realmente uma postagem de utilidade pública.
Todos temos direito ao conhecimento do nosso corpo e saber como prevenir.
Obrigado por comentar.

Bjkas.
Paulinha

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